Então e se me apetecer hoje catadupa?
Catadupa, pois bem. Ca-Ta-Du-Pa's de bons dias para voçês também com interrupções marcadas em horas escolhidas previamente acordadas para ser agendadas. Isso faz tanto sentido como esta frase.
E, se.
Simplesmente e, se?
Se eu sentir a magia a escorrer-me pelos dedos, se eu me esvair em cosmos de tintas e vos quiser para ver, se nesse momento, nesse domingo à tarde eu quiser estar cá.
Como faço?
Hoje dois é multidão, em mim vive uma tribo solta de nativos de sei-lá-d-onde capaz das mais grotescas formas de sentir o chamamento.
Interrupção? NÃO.
Se me apetecer falar com todos eles até domingo à tarde como fruirá essa comunicação?
"Domingo à tarde", o mote da sardin-on-carvon09 está tão perto que o conceito passa a estória. Eu vivi lá, no "domingo à tarde"! tenho a pulseira, comi, bebi e agora?
a partir do meio-dia começa o domingo à tarde! *brilhando quando todos foram dormir.
(é o que dá as interrupções!)
"Original é o poeta de origem clara e comum que sendo de toda a parte não é de lugar algum." - Ary dos Santos
30/04/2009
sabes...
23/03/2009
old-thoughts-new-resolutions
Re-observo ou analiso?
Vejo e concluo mas nada deduzo, nada
deve permanecer…
Duro trabalho da alma, o de carregar o poeta.
Em páginas escrito
pelos olhos descrito
O vazio da existência.
Vejo e concluo mas nada deduzo, nada
deve permanecer…
Duro trabalho da alma, o de carregar o poeta.
Em páginas escrito
pelos olhos descrito
O vazio da existência.
2005
25/02/2009
Cósmiquices
"By the power invested in me as God of my own world" - Natural Born Killers
O Universo é vasto, é algo enorme, todos sabem disso. Quando algo é Universal (non corporative) fala-se da capacidade de todos daí retirarem o mesmo sentido, resultado ou compreensão. Pois, o que é Universal?
O Universal só o é quando fora de si mesmo, logo aí, já perdeu a sua própria Universalidade. A não ser que... O Universal pressuponha a constante alteração do espaço(-tempo).
A visão artística, aquela centelha que consome pessoas e as suas vidas é a nossa melhor tentativa de Universalidade, é o propagar de signos que proporcionem ao Outro a clara percepção do nosso Universo, daquele Universo ou da ausência dele. Ora, essa ponte facilitadora do entendimento dos Universos é fixada por uma centelha antiga, ultrapassada mas ainda assim verdadeira. É o artista que concebe Universos, o delinquente primordial que ultrapassa as barreiras e escolhe os signos. Ainda assim, os signos estão aí e tão mal aproveitados.
O Universo no teu olhar
é fascínio sem lascívia
entendimento brusco sem inteligível
é saudade pronta a matar-me
perplexidade
incompreensão
palavras movidas a carvão
numa Universalidade
desse teu ar...
O Universo é vasto, é algo enorme, todos sabem disso. Quando algo é Universal (non corporative) fala-se da capacidade de todos daí retirarem o mesmo sentido, resultado ou compreensão. Pois, o que é Universal?
O Universal só o é quando fora de si mesmo, logo aí, já perdeu a sua própria Universalidade. A não ser que... O Universal pressuponha a constante alteração do espaço(-tempo).
A visão artística, aquela centelha que consome pessoas e as suas vidas é a nossa melhor tentativa de Universalidade, é o propagar de signos que proporcionem ao Outro a clara percepção do nosso Universo, daquele Universo ou da ausência dele. Ora, essa ponte facilitadora do entendimento dos Universos é fixada por uma centelha antiga, ultrapassada mas ainda assim verdadeira. É o artista que concebe Universos, o delinquente primordial que ultrapassa as barreiras e escolhe os signos. Ainda assim, os signos estão aí e tão mal aproveitados.
O Universo no teu olhar
é fascínio sem lascívia
entendimento brusco sem inteligível
é saudade pronta a matar-me
perplexidade
incompreensão
palavras movidas a carvão
numa Universalidade
desse teu ar...
24/02/2009
SweetTheArt

Morrer como quem desperta
saber que a nossa vida
presente
é somente uma veloz passagem numa chama bailarina
em sucessão brusca
Uma sucessão minimal
antes da racionalização: emoção
O homem e a emoção
Mas acordar antes de morrer
e ver os dias passar é tão só
e o mesmo A emoção com que se vive
pode matar A ausência dela
é nunca ter nascido
Nem Ser criado Criar raízes e tormentos
Nem semear paixões em danças da chuva
Ébrios e loucos esquecem
e voamos borboletas rumo à luz desconhecida
Mas tão brilhante
Mas tão brilhante
Sou já dois P’s sem augúrio de um F
Ser com ter sido estampado no que É
Poder sobre isso não apaga
o inatingível sobre-humano Futuro
Dá que fazer antes de dormir
que escrever antes de sonhar
obsessão
por ti sentir
ancoro pensamentos
de emoções
ditos momentos em arcaico
nessa brisa fugaz
há um rasto enorme de sangue de mim mesmo
de punhaladas proferidas por mil egos
acordo perdido
enquanto a lua me quiser despertarei ambíguo
e viverei morrendo ao sol
Salvador Dali,
with photograph by Phillipe Halsman (1906-1979)
Near Voluptuous Death, 1951.Halsman Estate
Black and White Avant-Garde Photo
Latvian/American Portrait Photographer
Não posso adiar o amor
Não posso adiar o amor para outro século
não posso
ainda que o grito sufoque na garganta
ainda que o ódio estale e crepite e arda
sob as montanhas cinzentas
e montanhas cinzentas
Não posso adiar este braço
que é uma arma de dois gumes amor e ódio
Não posso adiar
ainda que a noite pese séculos sobre as costas
e a aurora indecisa demore
não posso adiar para outro século a minha vida
nem o meu amor
nem o meu grito de libertação
Não posso adiar o coração.
não posso
ainda que o grito sufoque na garganta
ainda que o ódio estale e crepite e arda
sob as montanhas cinzentas
e montanhas cinzentas
Não posso adiar este braço
que é uma arma de dois gumes amor e ódio
Não posso adiar
ainda que a noite pese séculos sobre as costas
e a aurora indecisa demore
não posso adiar para outro século a minha vida
nem o meu amor
nem o meu grito de libertação
Não posso adiar o coração.
18/02/2009
a3

Euforia
de risota
faltam letras
em panóplia colorida
criatividade em florescência pura
das cinzas nascida
de um malfeitoso
ego, gerado de vós em nós
à brisa uma voz
(Último testemunho: Arranjujinhos foi excomungada, exilada,
banida do grupo dos escrivonhos. Hoje morri.)
Renasce, estrela!
Reflecte em nossos corpos maculados
teu brilho incandescente. Que nos conforta
a alma e o amor pelo mundo
num abraço uno, único,
só em plenitude comungada.
Oh, Fénix!
do alto da nossa nuvem-mundo
hoje planamos sintonia...
Euforia!
por:
Julyanne Fressynet
Sara Borges
eu
Jamesonices VS Jimsonices
Alimenta o teu génio
banquete divino
letras sons imagens
conservados sem cronómetro
Ele dir-te-há o que de melhor
podes pisar no teu destino
se olhas a Lua sentes?
alimenta o teu génio
Há noite
também há luz
-----***-----
incoerente pensamento
voltarei a matar a mente
momento de raiva
primeiros passos dum infante sem futuro
presente escuro
aparente testemunho
vaZio como um punho frio
na corrente de ar que uiva
assobio uníssono ao vento
banquete divino
letras sons imagens
conservados sem cronómetro
Ele dir-te-há o que de melhor
podes pisar no teu destino
se olhas a Lua sentes?
alimenta o teu génio
Há noite
também há luz
-----***-----
incoerente pensamento
voltarei a matar a mente
momento de raiva
primeiros passos dum infante sem futuro
presente escuro
aparente testemunho
vaZio como um punho frio
na corrente de ar que uiva
assobio uníssono ao vento
27/01/2009
"ser da terra dependente é o dilema da semente"
24/01/2009
Por muito tempo achei que a ausência é falta
Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.
ao que acrescento: "estar só torna tudo mais fácil, não é mais que ouvires teu coração" do enorme Manel Cruz
Desencanto
Eu faço versos como quem chora
De desalento... de desencanto...
Fecha o meu livro, se por agora
Não tens motivo nenhum de pranto.
Meu verso é sangue. Volúpia ardente...
Tristeza esparsa... remorso vão...
Dói-me nas veias. Amargo e quente,
Cai, gota a gota, do coração.
E nestes versos de angústia rouca
Assim dos lábios a vida corre,
Deixando um acre sabor na boca.
- Eu faço versos como quem morre.
Um grande obrigado ao Manuel Bandeira!
De desalento... de desencanto...
Fecha o meu livro, se por agora
Não tens motivo nenhum de pranto.
Meu verso é sangue. Volúpia ardente...
Tristeza esparsa... remorso vão...
Dói-me nas veias. Amargo e quente,
Cai, gota a gota, do coração.
E nestes versos de angústia rouca
Assim dos lábios a vida corre,
Deixando um acre sabor na boca.
- Eu faço versos como quem morre.
Um grande obrigado ao Manuel Bandeira!
05/01/2009
já agora... "mata-me outra vez"
Fala-me um pouco mais,
era tao bom ficar,
o mal é que eu ja nao sei quem eu sou...
eu nao sei se eu sou capaz
de me ouvir
Fala-me um pouco mais,
era tao bom subir,
e dar o que eu nunca dei a ninguém
sei que é bom teu travo a tudo
o que é mortal
ja... agora, mata-me outra vez
era tao bom, direi
mata-me outra vez
era tao bom, direi
mata-me outra vez
mata-me outra vez
tudo tem um fim
aqui nao ha ninguém que possa ter um mundo para dar
se um dia eu voltar
vai ser só mais uma forma de me ausentar
daquilo em que eu nao quero pensar
ja tudo teve um fim
ja que eu estou por ca
eu digo como é facil para mim
se ja nao da
sei que é bom teu travo a tudo
o que é mortal
ja agora, mata-me outra vez
era tao bom, direi
mata-me outra vez
era tao bom, direi
mata-me outra vez
mata-me outra vez
paro de andar
paro pra te ouvir
paro para ver se é bom pra mim
se é melhor do que uma vida
tao só e prenha por ninguém
vejo o k é bom dizer
paro pra te ouvir, mas foi só
para ver se o futuro é para nós
para quem tem o mesmo mal de nao saber amar
falo que pensar em mim
é cura e faz-me acordar...
...ou dormir
Fala-me um pouco mais,
era tao bom subir e dar o que eu nunca dei
a ninguém
sei que é bom teu travo a tudo
o que é mortal
ja... agora,
mata-me outra vez
era tao bom, direi
mata-me outra vez
era tao bom, direi
mata-me outra vez
era tao bom ficar,
o mal é que eu ja nao sei quem eu sou...
eu nao sei se eu sou capaz
de me ouvir
Fala-me um pouco mais,
era tao bom subir,
e dar o que eu nunca dei a ninguém
sei que é bom teu travo a tudo
o que é mortal
ja... agora, mata-me outra vez
era tao bom, direi
mata-me outra vez
era tao bom, direi
mata-me outra vez
mata-me outra vez
tudo tem um fim
aqui nao ha ninguém que possa ter um mundo para dar
se um dia eu voltar
vai ser só mais uma forma de me ausentar
daquilo em que eu nao quero pensar
ja tudo teve um fim
ja que eu estou por ca
eu digo como é facil para mim
se ja nao da
sei que é bom teu travo a tudo
o que é mortal
ja agora, mata-me outra vez
era tao bom, direi
mata-me outra vez
era tao bom, direi
mata-me outra vez
mata-me outra vez
paro de andar
paro pra te ouvir
paro para ver se é bom pra mim
se é melhor do que uma vida
tao só e prenha por ninguém
vejo o k é bom dizer
paro pra te ouvir, mas foi só
para ver se o futuro é para nós
para quem tem o mesmo mal de nao saber amar
falo que pensar em mim
é cura e faz-me acordar...
...ou dormir
Fala-me um pouco mais,
era tao bom subir e dar o que eu nunca dei
a ninguém
sei que é bom teu travo a tudo
o que é mortal
ja... agora,
mata-me outra vez
era tao bom, direi
mata-me outra vez
era tao bom, direi
mata-me outra vez
Manel Cruz - Ornatos Violeta - Cão
"Homens de Princípios" ou de génio, digo eu...

Eu tenho um génio pecador que não me deixa,
Só que passeia a carne em torno da moral.
Mas na vontade com que nego a devoção dou,
Toda a magia, Todo o meu sal.
É mais exacto sendo tudo uma salada,
Na mesma veia corre amor e vontade.
Se não há carne o coração não come nada,
Pensa que é puro,
Não tem o dom de:
Pensar!
Só faz sentido tudo ser assim.
Pensar,
E ver que tudo tem o mesmo fim
Se não me atrai uma forma de sentir sou,
Pior que o bicho cão e o bode preto.
E se hoje quero alguém pago a mesma conta.
Só que na febre, Vem a doçura.
Aquele macho prima pela fala mansa,
Cuidado fêmea em seu novo affair.
Quem fala branco guarda preto sob a língua, E sente cinza.
Não tem o dom de:
Pensar!
Só faz sentido tudo ser assim.
Pensar,
E ver que tudo tem o mesmo fim.
Aquela mão,
Segue a minha mão.
Vagueia só,
Segue a condição.
Um dia sem,
Logo fico com.
Mulher é deus,
Dançar é bom.
Pensar!
Só faz sentido tudo ser assim.
Pensar,
E ver que tudo tem o mesmo fim.
Pensar!
Só faz sentido tudo ser assim.
Pensar,
E ver que tudo tem o mesmo fim.
Letra do Manel Cruz - Ornatos Violeta - Homens de Princípios - Cão
04/01/2009
ao Ocaso

...Porque não nos levantamos e gritamos? Porquê não subir um pouco na escala do absorto real dançando onde e quando quisermos. Acordo.
*
Olhar para dentro só faz sentido quando imersos nessa dimensão.
Cá fora tudo se assemelha pérfido, é. Aqui não consigo lembrar nem sentir o que dentro tanto me apela, chama que consome pensamentos.
Para onde vão as ideias geniais, serei uma locomotiva movida a carvão? Ou estarei a lançar futuros diamantes para o fogo do esquecimento?
*
As leis da física de tão semelhantes com as leis do físico desde sempre me prenderam suspenso ao metafísico. No amargo que não arreganha a boca mas antes vícia. A metafísica diz muito mas não me diz nada. A Terra poderia até ser quadrada que isso não me mudaria, ninguém muda se não quer mudar. Como se muda a vontade? Como posso mudar?
Ter de volta aquela máscara de sorriso confiante. Ainda a uso mas aos outros é invisível, até as máscaras têm dois lados, tudo parece ter.
Queria de volta esse amor, agora que tive forças para o expulsar fiquei saudável, triste e só.
*
Ao serpentear do fumo pergunto: onde foste?
Brasas queimadas lhes pergunto: de onde vieste?
Não sei quem chegou, quem partiu...
Reminiscências de um são coisas que o outro nunca viu.
O outro não lembra, projecta e enfada. É um ser estagnado para o
antigo optimismo. Sentimento pesado para o jovem rapaz
morto agora na pele do mestre que atacou.
*
Arde chama o teu nome no meu pensamento
Consome mais que o ar de fora e de dentro
Agora é algo que não sei entender Agora
é passado de ainda agora
agora está a passar-se agora está a suceder
Agora é um portal do tempo
é tão genial que o recebi em déjà vu
Agora é trágico e triste pois não sei onde o meter
*
de olhos fechados por simpatia alheia
*
Softly driven by a simple look
often awaken by the right touch
he makes his dance
being one with Earth
*
Pictóricas linhas rectas secas dramáticas ou não geométricas surreais incidentes espectrais de cores na mão flores tracejadas florestas extasiadas num amor de carvão palavras desmesuradas por simples letras ornamentadas brilhando-nos de antemão.
*
Quero explodir nebulosa ascendente
varrendo a minha existência
não tenho carne para ser gente
nem peso de alma na consciência
Tenho fúrias que não explodem
e confusões que não morrem sem explodir...
02/01/2009
"brisa irreverente"
na louca imensidão do mermúrio
demente deparamo-nos de súbito
entre sonhar e não dormir
apelo insano a uma brisa irreverente
da distância
entre o quente e o frio de uma manhã de Inverno
nuvens de cadernos esculpidos a fio
nas visões geniais por pura arrogância
saboreando eterno regresso ao inicio
nas areias dissipa-se o xamã
numa brisa irreverente
por instância nesse segundo eterno
em que nos assemelhamos
a um animal ferido
abraçado na imensidão
de perceber que quem É
e o que quer?
já fora escrito de antemão
que do tamanho do mundo
é a nossa interpretação de tudo
filtrada pela perspectiva à luz matinal
um arrepio que revela um rosto sorridente
brilhando de volta ao sol
por uma brisa irreverente
demente deparamo-nos de súbito
entre sonhar e não dormir
apelo insano a uma brisa irreverente
da distância
entre o quente e o frio de uma manhã de Inverno
nuvens de cadernos esculpidos a fio
nas visões geniais por pura arrogância
saboreando eterno regresso ao inicio
nas areias dissipa-se o xamã
numa brisa irreverente
por instância nesse segundo eterno
em que nos assemelhamos
a um animal ferido
abraçado na imensidão
de perceber que quem É
e o que quer?
já fora escrito de antemão
que do tamanho do mundo
é a nossa interpretação de tudo
filtrada pela perspectiva à luz matinal
um arrepio que revela um rosto sorridente
brilhando de volta ao sol
por uma brisa irreverente
8.04h - 3 Jan 2009
17/12/2008
dançamos?
Having troubles telling how I feel
But I can dance, dance, dance
Couldn't possibly tell you how I mean
But I can dance, dance, dance
So when I trip on my feet
Look at the beat
The words are, written in the sand
When I'm shaking my hips
Look for the swing
The words are written in the air
Dance,
I was a dancer all along
Dance, dance, dance
Words can never make up for what you do
Easy conversations, there's no such thing
No I'm shy, shy, shy
My hips they lie 'cause in reality I'm shy, shy, shy
But when I trip on my feet
Look at the ground
The words are written in the dust
When I'm shaking my hips
Look for the swing
The words are written in the air
Dance,
I was a dancer all along
Dance, dance, dance
Words can never make up for what you do
Dance, dance, dance...
Lykke Li em "Dance, Dance, Dance" – Álbum "Youth Novels" 2008
07/12/2008

e é tão pura que seduz o mais estreito ícone de imaginação
entra a harmonia crua e a utopia
entre os loucos contemplação
óptico ilusionista derivada canção
dançada nutres magia sob energia primordial
és a noite em que bebemos
da ancestral percepção
já sem forma ascendemos
descobrindo o amanhecer
infinitas ângulos nos duetos
vibras colorindo-nos de excitação
sinto-te viva
espiral em torno de nós
em todos és momento
na perfeição um somnho: ॐ
28/11/2008
rue de cascades

doces são os sons quando escolhidos a dedo
e as palavras que repetem em sílabas de entendimento
São como mãos entrelaçadas suavizadas pelo vento
A inexistência de pertença a algum cosmos
a lógica alguma
dá-nos a efémera paz de quem aprecia o momento
O silêncio em compasso
de espera e ritmo
Tempo
que se vive à beira-mar
espreitando a acidez
num sentimento
e as palavras que repetem em sílabas de entendimento
São como mãos entrelaçadas suavizadas pelo vento
A inexistência de pertença a algum cosmos
a lógica alguma
dá-nos a efémera paz de quem aprecia o momento
O silêncio em compasso
de espera e ritmo
Tempo
que se vive à beira-mar
espreitando a acidez
num sentimento
26/09/2008
estudos de mercado

duas palavras bem direccionadas
uma rima com história
uma cama de cartão e um manto escarlate
não necessariamente um ancião
aspirante ao estatuto de sábio
sem planos
até devorar a solidão
aos que passam cantarola "kiedis"
enfiado num fato de "Poe"
à beira da estrada é espectáculo
queimando lembranças na palma da mão
criando esperanças
livros livres d'ilusão
Ri-te transeunte desta estrada deserta
em que te afogas de multidão
descobrindo sentidos
lá muito escondidos
desperta irmão
desta terra repleta
onde tudo são palavras
só possíveis se faladas
pelo corvo-indígena
espelho-alma-sensação
não esboces sorriso
esgar de dor nem piedade
Esbugalha-me os olhos curioso
num "bom dia" eterno e calmo
conhecer-me irás na perfeição
17/07/2008
Notícias do fundo
Dá noticias do fundo
Como passam teus dias
E se a razao nos chega para viver
Se amor nos serve amor nao dá de comer
Fico melhor assim
Em todo o caso vai pensando em mim
Se tocamos em alguma coisa
Se me chamas por algum motivo
Se nos podem ver
Se nos podem tocar
Meu desejo
É morrer na paz do teu beijo
Sem futuro
É lutar por um beijo mais puro
Eu vou estar sempre aqui
Nada vai mudar
Sinto-te arder no meu fundo
Eu vou estar sempre aqui
Nada vai mudar
Sinto-te entrar no meu mundo fundo
Nós tocamos em algumas coisas
Nós seguimos por alguns sentidos
Se nos podem ver
Nao nos podem tocar
Meu desejo
É morrer na paz do teu beijo
Sem futuro
É lutar por um beijo mais puro
Como passam teus dias
E se a razao nos chega para viver
Se amor nos serve amor nao dá de comer
Fico melhor assim
Em todo o caso vai pensando em mim
Se tocamos em alguma coisa
Se me chamas por algum motivo
Se nos podem ver
Se nos podem tocar
Meu desejo
É morrer na paz do teu beijo
Sem futuro
É lutar por um beijo mais puro
Eu vou estar sempre aqui
Nada vai mudar
Sinto-te arder no meu fundo
Eu vou estar sempre aqui
Nada vai mudar
Sinto-te entrar no meu mundo fundo
Nós tocamos em algumas coisas
Nós seguimos por alguns sentidos
Se nos podem ver
Nao nos podem tocar
Meu desejo
É morrer na paz do teu beijo
Sem futuro
É lutar por um beijo mais puro
Ornatos Violeta, Álbum "O monstro precisa de amigos", faixa 12 "notícias do fundo", 1999
10/06/2008
Às vezes não sei...
Numa rua escura, de madrugada, as nuvens encobrem o luar e os candeeiros funcionam apenas um em cada seis segundos. A rua é estreita e apinhada de carros. No cimo, num 3º andar de um dos prédios está um homem, parece jovem mas a pobre luz não lhe revela as feições nem no segundo de iluminação. Está sentado no parapeito da janela, encostado a um dos lados, uma perna baloiçando em pleno ar. Apesar do céu turvo parece contemplar o local onde estaria a lua se visível, mesmo por cima da ponte que faz a travessia entre cidades. Apesar do frio o homem veste apenas calções e ali permanece enquanto fuma ritmadamente, de perna sempre a baloiçar. Se atentarmos, no vazio desta noite fria, ouvimos uns acordes de Jobim.
“Às vezes não sei… Que faço aqui. Detesto sentir isto, não o posso partilhar com ninguém, «que cliché!» diriam certamente. Ninguém gosta de coitados. Não me sinto coitado, não tenho carro, casa ou namorada, mas considero isso temporário. Tenho bons amigos, muitos conhecidos, mas… De há uns anos para cá onde foram os meus objectivos? Aqueles que eram os de amanhã. Acordar e fazer o que se quer, tem ou deve fazer. Agora acordo consoante o dia e as tarefas, e sempre como se viesse de outra galáxia, como se tivesse sido embrulhado num casulo amorfo, que me transformou num qualquer ser que embora tenha o meu retrato me esvaziou as entranhas. Sinto-me oco. Que me interessa o dia da semana, do mês ou o que vou almoçar amanhã. Não estou a viver, sou só o ponteiro do relógio, um compasso que mede o que os outros imaginam. Só vivo através do mundo agora. Só me sinto ligeiramente ser quando sou espelho de algum sentimento que não o inócuo eu.
A questão é: será que quero não viver assim, ou não viver, ponto?”
O dia segue já a meio em tons de preguiça, frio e cinzento. O jovem homem surge numa esquina, e desce agora uma longa escadaria até chegar a uma paragem de autocarro vazia. A rua está um turbilhão com obras, trânsito e polícias de trânsito a passar multas por mau estacionamento. A rua, que na verdade é uma avenida, e apesar do céu antipático, deixa que algumas folhas amareladas a sobrevoem distraindo os interessados pelo monótono mundo real.
Lá em baixo vê-se o que parece um fresco da cidade com o rio, as pessoas, os carros e a ponte que desaparece sob o manto sebastianista. Surge o autocarro no momento em que no mp3 do jovem começa uma nova música.
“Mais um dia, por esta janela traseira já me habituei a ser quem vejo, a criar uma ficção para quase todos os que vejo. Pela forma como olham, tocam, andam, falam. Pela forma de vestir, pelo cabelo e pelo cheiro. Tudo para mim são pistas que eu vou analisando enquanto crio um universo paralelo para eles. Por vezes interagem comigo, imagino-os como futuros grandes amigos, patrões, filhos e até amantes. São as marionetas que a minha imaginação se encarrega de atar num enredo duvidoso e parcial.
Hoje não vejo nada, ninguém. Observo a minha mão e acho-a tão bela como qualquer outro feito da Natureza. Parece vestir uma pele, uma espécie de cabedal invisível que lhe confere um relevo complexo. Por segundos tento descobrir um mapa, um qualquer padrão, mas nada. Fecho o punho. Tiro da mala o caderno e o lápis. Escrevo num impulso seis ou sete linhas num verso que não rima. Leio e tento perceber-me… Falo de amor, de vertigem, do deserto e de morte. Digo no fim: “Que por fim a morte está perto”. Um arrepio corre-me espinha abaixo ao ler a última linha. Sorrio relaxado para o mundo.”
Numa esplanada amarelada, com o sol a despedir-se, estão cerca de duas dezenas de pessoas. São na sua maioria jovens e estão dispostos em quatro mesas diferentes, embora duas coabitem. É um espaço amplo com três árvores a separar as mesas e cadeiras de um parque de estacionamento. À volta existe um pavilhão desportivo, um ginásio e salas de aula. É, de facto, uma universidade mas isso pouco importa para o jovem que não ouve os colegas a seu lado. Sentado ao meio da mesa, observa o feixe de luz surreal que atravessa uma outra mesa. Observa sobretudo o que é invisível, pois observa com os quatro sentidos: a visão, o olfacto, a audição e a imaginação.
“Sinto que podia vir aqui apenas para isto, que viria aqui confraternizar como a qualquer outro lado, só que aqui a luz é bestial. Ela é também bestial, mas será mesmo “assim tão” bestial para compreender um acto ridiculamente nobre e romântico? Será hoje o dia em que lhe darei algo e direi: desculpa a invasão mas isto foi escrito por ti, pela tua luz, pelos teus olhos… Por esta altura já estaria tudo a rir à gargalhada. De que forma seria uma abordagem igualmente fiel mas moderna ou arrojada?
Ela é tão divinamente normal que terei de escrever algo hoje. Hoje é o dia, sinto-o."
Destino ou partida?
Não te creio o meu destino nem te vejo como um ponto de partida.
És a minha metáfora preferida,
Num papel chamado vida.
Papel reciclado que já foi paixão,
Que vive saudade saudando o chão.
De impertinentes planos te percorro o corpo
Com as mãos tementes te logro um gesto
Do belo que mais belo há
Conheci-te com meus braços estendidos
Tão infinitos como as nossas sombras
Aprendi-te e à tua música diária como
Ao crepitar de uma fogueira atrás de uma chávena de café
Ondula o dia na sua gravidade pesada
Que a ouro se paga de seriedade
Flutuamos os dois só para descobrir mais tarde
Que de âncoras fomos munidos como por flores impressionados.
"Não é um poema mas é verdade e se voei por um segundo que fosse, foi por tua causa, se hoje esqueci o que de mau me invade foi graças a uma luz de final de tarde e ao teu perfil de mulher, de musa real. Por isso agradeço-te pedindo-te que fiques com isto.”
A rapariga foi abordada pelo rapaz, aceitou a folha, sem saber o que fazer. De forma atrapalhada apresentou-se. O rapaz disse o nome e despediu-se, dizendo-lhe que não era nenhum louco obsessivo, que apenas gostava de observar. Que não era tímido, embora soubesse respeitar.
Desceu as escadas rapidamente sem olhar para os seus colegas, dos quais já se havia despedido, caminhava rapidamente enquanto apertava o casaco. Um frio gélido confirmava a ausência do sol, mas não havia frio para o jovem. Havia um tremor por todo o corpo, uma ansiedade infantil, um gosto a café com leite, um cheiro a Natal. Devido ao vento frio, lágrimas foram escorrendo pela sua face sem esconder o sorriso dos seus olhos. O mundo era um barulho silencioso à sua volta e os seus pensamentos gritos a plenos pulmões. O cheiro do jardim que atravessou era de humidade, de terra molhada.
“Às vezes não sei… Que faço aqui. Detesto sentir isto, não o posso partilhar com ninguém, «que cliché!» diriam certamente. Ninguém gosta de coitados. Não me sinto coitado, não tenho carro, casa ou namorada, mas considero isso temporário. Tenho bons amigos, muitos conhecidos, mas… De há uns anos para cá onde foram os meus objectivos? Aqueles que eram os de amanhã. Acordar e fazer o que se quer, tem ou deve fazer. Agora acordo consoante o dia e as tarefas, e sempre como se viesse de outra galáxia, como se tivesse sido embrulhado num casulo amorfo, que me transformou num qualquer ser que embora tenha o meu retrato me esvaziou as entranhas. Sinto-me oco. Que me interessa o dia da semana, do mês ou o que vou almoçar amanhã. Não estou a viver, sou só o ponteiro do relógio, um compasso que mede o que os outros imaginam. Só vivo através do mundo agora. Só me sinto ligeiramente ser quando sou espelho de algum sentimento que não o inócuo eu.
A questão é: será que quero não viver assim, ou não viver, ponto?”
O dia segue já a meio em tons de preguiça, frio e cinzento. O jovem homem surge numa esquina, e desce agora uma longa escadaria até chegar a uma paragem de autocarro vazia. A rua está um turbilhão com obras, trânsito e polícias de trânsito a passar multas por mau estacionamento. A rua, que na verdade é uma avenida, e apesar do céu antipático, deixa que algumas folhas amareladas a sobrevoem distraindo os interessados pelo monótono mundo real.
Lá em baixo vê-se o que parece um fresco da cidade com o rio, as pessoas, os carros e a ponte que desaparece sob o manto sebastianista. Surge o autocarro no momento em que no mp3 do jovem começa uma nova música.
“Mais um dia, por esta janela traseira já me habituei a ser quem vejo, a criar uma ficção para quase todos os que vejo. Pela forma como olham, tocam, andam, falam. Pela forma de vestir, pelo cabelo e pelo cheiro. Tudo para mim são pistas que eu vou analisando enquanto crio um universo paralelo para eles. Por vezes interagem comigo, imagino-os como futuros grandes amigos, patrões, filhos e até amantes. São as marionetas que a minha imaginação se encarrega de atar num enredo duvidoso e parcial.
Hoje não vejo nada, ninguém. Observo a minha mão e acho-a tão bela como qualquer outro feito da Natureza. Parece vestir uma pele, uma espécie de cabedal invisível que lhe confere um relevo complexo. Por segundos tento descobrir um mapa, um qualquer padrão, mas nada. Fecho o punho. Tiro da mala o caderno e o lápis. Escrevo num impulso seis ou sete linhas num verso que não rima. Leio e tento perceber-me… Falo de amor, de vertigem, do deserto e de morte. Digo no fim: “Que por fim a morte está perto”. Um arrepio corre-me espinha abaixo ao ler a última linha. Sorrio relaxado para o mundo.”
Numa esplanada amarelada, com o sol a despedir-se, estão cerca de duas dezenas de pessoas. São na sua maioria jovens e estão dispostos em quatro mesas diferentes, embora duas coabitem. É um espaço amplo com três árvores a separar as mesas e cadeiras de um parque de estacionamento. À volta existe um pavilhão desportivo, um ginásio e salas de aula. É, de facto, uma universidade mas isso pouco importa para o jovem que não ouve os colegas a seu lado. Sentado ao meio da mesa, observa o feixe de luz surreal que atravessa uma outra mesa. Observa sobretudo o que é invisível, pois observa com os quatro sentidos: a visão, o olfacto, a audição e a imaginação.
“Sinto que podia vir aqui apenas para isto, que viria aqui confraternizar como a qualquer outro lado, só que aqui a luz é bestial. Ela é também bestial, mas será mesmo “assim tão” bestial para compreender um acto ridiculamente nobre e romântico? Será hoje o dia em que lhe darei algo e direi: desculpa a invasão mas isto foi escrito por ti, pela tua luz, pelos teus olhos… Por esta altura já estaria tudo a rir à gargalhada. De que forma seria uma abordagem igualmente fiel mas moderna ou arrojada?
Ela é tão divinamente normal que terei de escrever algo hoje. Hoje é o dia, sinto-o."
Destino ou partida?
Não te creio o meu destino nem te vejo como um ponto de partida.
És a minha metáfora preferida,
Num papel chamado vida.
Papel reciclado que já foi paixão,
Que vive saudade saudando o chão.
De impertinentes planos te percorro o corpo
Com as mãos tementes te logro um gesto
Do belo que mais belo há
Conheci-te com meus braços estendidos
Tão infinitos como as nossas sombras
Aprendi-te e à tua música diária como
Ao crepitar de uma fogueira atrás de uma chávena de café
Ondula o dia na sua gravidade pesada
Que a ouro se paga de seriedade
Flutuamos os dois só para descobrir mais tarde
Que de âncoras fomos munidos como por flores impressionados.
"Não é um poema mas é verdade e se voei por um segundo que fosse, foi por tua causa, se hoje esqueci o que de mau me invade foi graças a uma luz de final de tarde e ao teu perfil de mulher, de musa real. Por isso agradeço-te pedindo-te que fiques com isto.”
A rapariga foi abordada pelo rapaz, aceitou a folha, sem saber o que fazer. De forma atrapalhada apresentou-se. O rapaz disse o nome e despediu-se, dizendo-lhe que não era nenhum louco obsessivo, que apenas gostava de observar. Que não era tímido, embora soubesse respeitar.
Desceu as escadas rapidamente sem olhar para os seus colegas, dos quais já se havia despedido, caminhava rapidamente enquanto apertava o casaco. Um frio gélido confirmava a ausência do sol, mas não havia frio para o jovem. Havia um tremor por todo o corpo, uma ansiedade infantil, um gosto a café com leite, um cheiro a Natal. Devido ao vento frio, lágrimas foram escorrendo pela sua face sem esconder o sorriso dos seus olhos. O mundo era um barulho silencioso à sua volta e os seus pensamentos gritos a plenos pulmões. O cheiro do jardim que atravessou era de humidade, de terra molhada.
08/05/2008
Soneto

Enquanto fores lua serei homem
imortal na graça de pensador
aprenderei a controlar o amor
e estes pensamentos que o consomem
E nessa tua condição de lua
uma só pergunta te farei:
algum dia saberei
ser tão meu como tu és tua?
Deambulo paro continuo
em movimentos sub-reptícios
de alma no bolso da camisa de algodão
Grito-te a loucura que possuo
porquanto pensamentos são vícios
e só me contenta a tua mão
07/05/2008
Canibalismo & Soneto do Amor
"Canibalismo" de S. DaliNão me peças palavras, nem baladas,
Nem expressões, nem alma... Abre-me o seio,Deixa cair as pálpebras pesadas,
E entre os seios me apertes sem receio.
Na tua boca sob a minha, ao meio,
Nossas línguas se busquem, desvairadas...
E que os meus flancos nus vibrem no enleio
Das tuas pernas ágeis e delgadas.
E em duas bocas uma língua..., - unidos,
Nós trocaremos beijos e gemidos,
Sentindo o nosso sangue misturar-se.
Depois... - abre os teus olhos, minha amada!
Enterra-os bem nos meus; não digas nada...
Deixa a Vida exprimir-se sem disfarce!
José Régio in Soneto de Amor
28/04/2008
A Bunda, que engraçada

A bunda, que engraçada.
Está sempre sorrindo, nunca é trágica
Não lhe importa o que vai
pela frente do corpo. A bunda basta-se.
Existe algo mais? Talvez os seios.
Ora - murmura a bunda - esses garotos
ainda lhes falta muito que estudar.
A bunda são duas luas gêmeas
em rotundo meneio. Anda por si
na cadência mimosa, no milagre
de ser duas em uma, plenamente.
A bunda se diverte
por conta própria. E ama.
Na cama agita-se. Montanhas
avolumam-se, descem. Ondas batendo
numa praia infinita. Lá vai sorrindo a bunda. Vai feliz
na carícia de ser e balançar.
Esferas harmoniosas sobre o caos.
A bunda é a bunda,
redunda
Está sempre sorrindo, nunca é trágica
Não lhe importa o que vai
pela frente do corpo. A bunda basta-se.
Existe algo mais? Talvez os seios.
Ora - murmura a bunda - esses garotos
ainda lhes falta muito que estudar.
A bunda são duas luas gêmeas
em rotundo meneio. Anda por si
na cadência mimosa, no milagre
de ser duas em uma, plenamente.
A bunda se diverte
por conta própria. E ama.
Na cama agita-se. Montanhas
avolumam-se, descem. Ondas batendo
numa praia infinita. Lá vai sorrindo a bunda. Vai feliz
na carícia de ser e balançar.
Esferas harmoniosas sobre o caos.
A bunda é a bunda,
redunda
Carlos Drummond de Andrade
The Crystal Ship
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Before you slip into unconsciousness
Id like to have another kiss
Another flashing chance at bliss
Another kiss, another kiss
The days are bright and filled with pain
Enclose me in your gentle rain
The time you ran was too insane
Well meet again, well meet again
Oh tell me where your freedom lies
The streets are fields that never die
Deliver me from reasons why
Youd rather cry, Id rather fly
The crystal ship is being filled
A thousand girls, a thousand thrills
A million ways to spend your time
When we get back, Ill drop a line
Jim Morrison, The Doors, no seu primeiro Álbum: "The Doors"
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